sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

do dia dos namorados

um grande amigo meu está na merda.
um grande amigo meu, que apregoava ser racional o suficiente para acreditar que não ficamos com a mesma pessoa toda a vida, está na merda.
a relação acabou de mútuo acordo mas, percebi eu e os restantes amigos agora, sempre com a esperança (pela parte do meu amigo) de que voltassem.
a outra pessoa seguiu em frente - e um grande amigo meu está na merda.
isto quando tem de doer não importa se somos pessoas bem resolvidas, racionais, ponderadas e sensatas. isto quando tem de doer, dói e ponto final.
podemos ser a pessoa mais bem preparada e precavida, mas um terramoto tira sempre tudo do lugar e levanta terra por todo o lado: traz ao de cima o que julgávamos bem resolvido e devolve-nos, às chapadas, o que julgávamos já não ter de enfrentar.
um grande amigo meu está na merda a dois dias do dia dos namorados. e eu, como só festejei esse dia uma vez (fruto de relações que nunca o foram ou de outras que não sobreviveram o tempo suficiente para isso) e não sinto sequer a falta dele, vou lanchar com os deficientes dos meus amigos na esperança de poder minimizar a merda em que o meu amigo está.
já sabemos que não resolve nada. já sabemos que dói na mesma.
mas um grande amigo é o maior amor que podemos ter por garantido -  e se eles sempre estiveram lá para mim (e no ano passado bem que precisei), o mínimo que posso fazer é estar lá também. nem que seja para lhe dizer que tudo vai passar mesmo sabendo o quanto o processo custa. nem que seja para o abraçar por entre soluços enquanto reconhece que a relação morreu também por sua culpa. nem que seja só para estar lá. em silêncio.
porque um grande amigo meu está na merda - e não estamos todos?


sábado, 6 de fevereiro de 2016

do tempo #49

isto de ir ao supermercado, pôr gasolina e lavar o carro, tratar da roupa, arrumar a casa e cozinhar o jantar (de vez em quando, va) pode parecer muito normal para quem já tem a minha idade (e é), mas o que me faz realmente sentir velha é o ter de tratar das faturas no site das finanças,

o que vale é que tenho sempre musicas do justin bieber para me transformar, aos 25, numa pita de 15.
(não façam de conta que não dançam quando isto passa na rádio, ta? que eu bem vos vejo no trânsito. eu bem vos vejo.)







terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

do tempo #48

as memórias do facebook são uma coisa muito engraçada - menos para quem tem uma vida tão irónica como a minha.
desde lembranças de como preparei ex-namorados para casar (ou para assumirem relações super felizes quando comigo eram só e simplesmente melodramáticos) até fotos com amigos em noites de que não me lembro (mas que as câmaras não deixaram esquecer), encontro e relembro também a constatação de que, se os homens são burros, as mulheres às vezes são muito mais.
então não é que houve uma altura da minha vida em que eu não só escrevia coisas profundas e as publicava no facebook (o que já por si só é mau) como ainda permitia que pessoas que me tinham partido o coração as fossem comentar (sabendo que eram dirigidas a elas) naquele limiar do ''acabou-tudo-mas-somos-amigos'' ??!!
amigos o caralho, pah! não há cá amigos depois de alguém fazer merda!
às vezes tenho vontade de voltar atrás no tempo e dar um par de estalos ao meu eu com 20 anos.
depois penso que também teria de o fazer ao meu eu com 22. e com 24. e isso já dá demasiado trabalho e eu tenho muito com que me entreter de cada vez que o facebook resolve lembrar-me do que fiz. oh, se tenho.



não, o livro nunca aconteceu (aindaaaa), mas pelo pouco (quase nada) que sei da vida dele, ele ainda continua a desenhar.
felizmente a vida mostrou-me, três anos após este episódio e depois de eu pensar que realmente tínhamos conseguido ficar amigos (mais uma chapada ao meu eu com 23 anos), que era melhor não fazermos mais parte da vida um do outro. curioso como tudo muda. e como o facebook tem agora a diabólica tarefa de nos relembrar isso todos os dias. (chapada ao meu eu com 25 anos),



domingo, 31 de janeiro de 2016

do (próprio) amor próprio

2016

Cabelo cortado.
Sono em dia.
Uma viagem marcada.
Amigos próximos.
Férias de verão e outono semi-planeadas.
Família equilibrada.
Emprego nos trinques.
Dois concertos na lista,
Um mundo novo.
Uma pessoa nova.
Um sorriso novo, finalmente.
Novamente.
Finalmente.



For all the times that you made me feel small
I fell in love now I fear nothin' at all

[quem diria que em 2016 seriamos todos beliebers? balha-me a santa AHAHAH]






sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

das casas vazias

Há uns tempos percebi que não me conseguia lembrar da tua voz.
Por muito que tentasse simular conversas, repetir declarações, tentar até escutar o som da tua gargalhada lá no fundo do baú, percebi que já não possuía essa memória tua.
Aos poucos fui perdendo tudo: o toque, o cheiro, o brilho do olhar. Como uma casa de onde os donos se mudam e vão aos poucos empacotando caixas, empilhando momentos, embrulhando (em papel de bolhinhas daquelas de estourar) o que mais querem preservar de quedas e destroços.
Um dia a carrinha das mudanças veio e levou tudo. Sobraram só as paredes, com os pregos onde outrora havia quadros, as rachas no tecto e as manchas de humidade, a tinta a ser comida pelo tempo que teima em passar tão devagar quando o queremos acelerado.
Não sei para onde foste. E não falo fisicamente, porque disso não pretendo nem saber - decidi há muito tempo que fossemos caminhos separados, linhas de carris que correm paralelas sem nunca se cruzarem, Mas para onde foste tu dentro de mim? Não é suposto o amor ser para sempre, nem que seja só um bocadinho? Onde está tudo? Aquilo tudo?
Tenho uma caixa com memórias que nunca mais abri por já não fazerem sentido. Talvez se ainda ouvisse no eco da tua voz o meu nome, talvez tivesse saudades do que foi e tentasse revivê-lo aos poucos, nestas noites frias, abrindo a tal caixa onde (e disso ainda me lembro) está um bilhete teu que diz que me tens debaixo da tua pele, como o Sinatra.
Acho que essa é finalmente a única memória que ainda não consegui desprender de ti,  último sopro de vida: a música dele. Mas já não nos vejo aos dois a dançar na tua sala, às gargalhadas a evitar dizer o 'I Love You' no  Fly me to the Moon. (Talvez devêssemos mesmo ter evitado dizê-lo e tudo teria sido mais fácil.) Vejo duas sombras distorcidas, sem voz nem toque nem cheiro nem expressão nem nada. Foi-se tudo.
Outro dia perguntaram-me se estava bem. Estou de facto muito bem e equilibrada como não estava há muito tempo. Gosto de mim, da minha vida profissional, dos momentos com familiares e amigos e dos novos projectos. E de mim, tudo para mim neste momento.
O que mais assusta não é as pessoas que vamos separando de nós nem o facto de seguirmos em frente. Assusta sim ver os sentimentos que tudo foram desvanecerem tão rapidamente que não sabemos como vamos ser capazes de acreditar novamente. Assusta a forma trôpega como se põe fim a histórias que julgávamos tão bonitas. Se aquilo era tudo, o que é que sobra?
Há uns tempos percebi que não me conseguia lembrar da tua voz. E por muito que realmente me passe ao lado a tua memória no dia-a-dia, gostava de ter conseguido guardar com carinho o que fomos, para contar essa história aos meus (não nossos) netos, como prometemos um dia.
Infelizmente, tu não mo permitiste.
E por ter mais uma casa vazia, tenho mesmo muita pena.







sábado, 9 de janeiro de 2016

do tempo #47


so, the Killers...
awesome, hum?


a primeira vez que ouvi The Killers foi precisamente neste episódio.
passado um tempo a minha prima viciou-me no álbum e mais de dez anos depois aqui estamos nós:
dois concertos e uma tatuagem, a par de um meet&greet no backstage e mais um concerto do Mr Brandon. Shame? None.

The O.C. foi a série da minha adolescência (depois juntou-se Gilmore Girls e toda a minha paixão por Friends, mas posso dar a esta série o crédito por grande parte dos meus girly dramas).
gotta love Seth Cohen, right? 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

das coisas da vida

Era muito bom se soubéssemos sempre o que queremos, mas isso só acontece em episódios da Anatomia de Grey, depois de a Meredith gabar pela 500ª vez o cabelo do Derek, e o universo das urgências do hospital lhes parecer a menor das suas preocupações.
Regra geral, o ser humano não faz a mais pequena ideia do que lhe apetece fazer com a sua vidinha miserável, muito menos quando tem de enfrentar uma decisão totalmente decisiva. Concentremo-nos no sexo feminino:  uma mulher já tem demasiados problemas em decidir o que vestir (drama que vai da roupa interior ao calçado, passando pelos acessórios e, no caso do inverno, casacão quente o suficiente), quanto mais em decidir se lhe apetece sair com o Francisco para tomar café ou se lhe apetece construir um futuro com o Marco António. Antigamente, as decisões estavam pré-tomadas; as mulheres sofriam antecipadamente por corações partidos e deixavam-se ficar presas a relacionamentos porque, na verdade, eram umas desocupadas. Hoje em dia uma mulher inteligente e independente assusta mais um homem do que uma mulher de mini saia; imaginem, então, o que uma mulher inteligente e independente pode fazer à cabeça de um homem se usar uma mini saia. Pois, é mesmo isso: as mulheres pensam, rapazes. E não se chama feminismo exacerbado, trata-se simplesmente de não cairmos no engodo de qualquer deficiente mental que elogie os nossos olhos ou sorriso ou, verdadeiramente, decote.
Voltemos ao tema central: a mulher contemporânea não faz a mais pequena ideia do que fazer com a sua vidinha miserável. Cada dia se revela uma nova batalha, e tudo se altera num piscar de olhos. Tão depressa aceitamos um convite para jantar como nos apercebemos que afinal o que nos apetece é uma noite de copos com amigos. Tão depressa nos sentimos cheias de realização pessoal, como acordamos a sentirmo-nos vazias. Tão depressa estamos a ter uma conversa equilibrada , como damos por nós a pensar que aquela pessoa só nos traz problemas e o que mais queremos é tira-la da nossa vida. Tão depressa começamos a escrever um texto supostamente irónico e engraçado, e acabamos a pensar em todos os problemas que quisemos evitar quando começamos a escrever.
As mulheres são complicadas – mas é por tentarem simplificar tudo, a maioria das vezes.
No fundo, o que vos irrita é que nós nos tornamos iguais a vocês em muitas coisas.
Não tentem perceber-nos, não vale a pena. Nem nós nos percebemos, e mesmo quando parecemos decididas, não o estamos. Mudamos de ideias mais vezes do que a lua muda de fases; e meus queridos, o tal meio termo, tão ingrato, é o que mais ansiamos encontrar, para depois percebermos que nunca resulta.
A mulher contemporânea nem sempre é uma cabra sem coração. A mulher contemporânea habituou-se tanto a estar sozinha – culpa vossa – que agora não quer abdicar de toda a segurança que construiu, e de tudo aquilo de que se rodeou ao longo dos tempos.
Conselho: não tentem observar-nos o comportamento para depois preverem o que vamos fazer a seguir. Dependendo dos apetites, um ‘não’ pronunciado por uma mulher tanto pode significar um sim disfarçado, como pode mesmo ser um não redondo. São coisas da vida.



(este texto é de 2011 e é inacreditável o quão descompensada eu já era com 20 anos ahahah)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

de 2015 em músicas



Janeiro
'cause I need 
something that could wash off the pain

Fevereiro
*Viena*


Março
And baby
 my heart
could still fall as hard at 23


Abril
in other words
take my hand


Maio
'cause you're a hard soul to save
with an ocean in the way


Junho
fuck you
and all we've been through


Julho
there's no hope
and it's hard to come of age

Agosto
não vais achar nada bem
que eu pague a conta em raiva


Setembro
Start spreading the news
I'm leaving today


Outubro
it matters how this ends
'cause what if I never love again?

Novembro
é simples:
tudo o que é da vida herdou sentido, 
tem-te se for tido, 
sabe ser vivido,
fala-te ao ouvido e nasces tu...



Dezembro
My sould is painted like the wings of butterflies
fairytales of yesterday will grow but never die
I can fly,

My friends,
The show must go on.


sábado, 19 de dezembro de 2015

do tempo #46

percebi hoje que não punha cá os pés há um mês e, sendo este espaço o meu porto de abrigo em horas más, isso só pode significar que tenho andado muito bem :)
no entanto vou tentar não desaparecer tanto, que isto de escrever o que nos vai na alma faz um restart porreiro aos pensamentos e é bem mais benéfico do que pagar a terapeutas. e quem é feliz tem razões de sobra para o partilhar também - sem querer ser mete nojo ahah.


por entre o contrato assinado, a alegria de ir trabalhar que já não sentia há tanto tempo, o jantar de natal da empresa e o bónus de fim de ano, posso dizer que profissionalmente anda tudo ás mil maravilhas. no início do mês passou a comic con, compraram-se as prendas de natal, planifiquei todas as sobremesas amigas da obesidade mórbida para a ceia de natal - os horários laborais deste ano foram muito amigos-  e já tenho algumas viagens em mente para marcar para o próximo ano. amanhã tenho jantar natalício, 2a feira vou ver o star wars e os sobrinhos vão estar por cá por casa a destruir tudo e durante a proxima semana tenho muitos mais encontros com amigos para troca de prendas e mimos nesta quadra que tanto adoro!
2016 me aguardji, que isto vai num bom ritmo!:)



May your days be merry and bright 
And may all your Christmases be white