sexta-feira, 12 de junho de 2015

do empurrãozinho

precisava muito que me dissessem que vai ficar tudo bem, naquele tom meigo de quem realmente acredita, porque eu no fundo já sei que vai e só preciso é que acreditem por mim, por estar tão sem forças e um empurrãozinho vir mesmo a calhar.
precisava muito que a balança andasse ó-pra-trás uns quantos quilos, para voltar a caber nos trapos que tanto gosto e para a porra da autoestima não ir pelo cano abaixo, agora que não tenho quem ma eleve todos os dias.
precisava, oh se precisava, de um novo emprego, de novos colegas de trabalho, de novos desafios, de um novo ordenado.
precisava tanto que a porra do tempo andasse mais rápido que os relógios que insistem em lembrar-me de que ainda só passou um mês de dor e que muitos mais se seguirão.
precisava muito de encontrar finalmente uma porra de um carro dentro das minhas necessidades e orçamentos, precisava muito de conseguir terminar os livros que tenho pendurados para ler há anos e de deitar cá para fora as palavras tortas que me habitam sem lugar há tempo demais.
precisava, oh se precisava, de crescer para lá dos meus contornos, da minha zona de conforto, da minha sabedoria. precisava muito de uma mudança de visual, de cidade, de vida.
precisava que a vida deixasse de ser madrasta e filha da puta e que parasse de me dar lições porque no fundo não aprendemos, não é sua filha da mãe? e é tudo um jogo sádico de ganhar e perder e crescer e compreender para no fundo voltarmos ao início da corrida, ao km zero, ao começo da inocência.
precisava muito de acordar amanhã com o mesmo sorriso que me habita há já uns dias e precisava ainda mais que esse sorriso não se desvanecesse com as horas que passam e teimam em não trazer de volta tudo o que tivemos de bom.
há um ano atrás muita coisa estava diferente, mas tinha alguns desejos semelhantes e outros que entretanto já se foram... mas porra, tinha muito menos medo.
precisava muito que me dissessem que vai ficar tudo bem.



que nem o último a cair
vai...
perder.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

do tempo #31

tantos arrependimentos.
tantos sonhos.
tantas memórias.
tantas lágrimas.
tantas dores.
tantos sorrisos e palavras e toques e cheiros.

somos feitos de tudo aquilo que nos escapa do controle: e é quando mais precisamos de domar as emoções,  que percebemos (a muito custo) o quão dependentes somos das vontades do Universo.


and I say
it's all right



domingo, 7 de junho de 2015

do NOS Primavera Sound

faltou a minha Rootless Tree, mas concerto não é concerto se não faltar qualquer coisa que deixe no ar a esperança de voltar. e de esperança é do que todos precisamos.
obrigada, Damien.




Well we were good, when we were good
When we were not misunderstood
You helped me love, you helped me live


You helped me learn how to forgive
Didn't you?

I wish that I could say the same
But when you left, you left the blame
Didn't you?



sexta-feira, 29 de maio de 2015

das palavras que nos roubam



''O Amor vai sempre contra nós. Por Amarmos, sentimo-nos dependentes desse Amor. Por nos sentirmos dependentes, buscamos a independência. Para buscarmos a independência fingimos que não Amamos. Como não conseguimos fingir muito tempo, voltamos ao princípio. Amamos e sentimo-nos dependentes.
Que merda!
Talvez um dia destes eu Ame alguém que me Ame exactamente da mesma forma. Era a melhor coisa que me podia acontecer, apaixonar-me de novo por aí. Desde que esse alguém fosses tu outra vez. ''



terça-feira, 26 de maio de 2015

do tempo #30

há pessoas que são feitas de merda que transborda e cria mais merda à volta delas, merda essa que vão absorver de novo para gerar ainda mais merda e assim sucessivamente.
e depois têm a lata de nos fazer sentir como se fôssemos nós os geradores de merda - era o que mais havia de faltar.

agora vou masé respirar fundo e curtir o reset feito ao pc que o deixou num brinquinho, enquanto vejo todos os episódios de séries em atraso e agradeço baixinho por certas e determinadas atitudes demonstrarem a verdadeira essência das pessoas.



[e nada melhor do que Damien Rice 
para mandar alguém foder-se de forma melódica.
até dia 6 meu querido!]



terça-feira, 19 de maio de 2015

do querer mais da vida


abri ao calhas o 'Fragmentos de um Discurso Amoroso' e percebi (claro que não) o que é afinal isto das desilusões amorosas

'CATÁSTROFE-  Crise violenta no decurso da qual o sujeito, que sente a situação do amor como um impasse definitivo, uma armadilha de que nunca poderá sair, se vê condenado a uma destruição total de si próprio.'

querido Roland Barthes, lamento informar que isto das catástrofes tende a ser mais comum do que o amor em si, mas não pode jamais apelar à autodestruição.
apela, isso sim, à autoregeneração, ao encontro com o eu (já que o nós foi com as urtigas) e à procura incessante de uma paz que nos complete.
é tudo uma treta eu sei. arranjar forças para sair da cama de manhã já é, por si só, uma epopeia. e novamente só quem já se regenerou vezes demais pode compreender o quão exaustivo é combater a ideia 'a sério que isto me aconteceu outra vez?'.

às vezes penso que nasci programada com um negativismo que corrompe à partida toda e qualquer hipótese de felicidade.
depois passa-me pela mente que a culpa é da Disney, do Shakespeare e da Jane Austen, de todos os amores épicos que nunca vi acontecerem comigo e que por isso aniquilo mal me desiludem.
momentaneamente, deixo-me preencher pela ideia de que nós - e só nós - é que sabemos o que nos completa e que encontrar o amor é encontrar quem perceba isso também sem termos de lhe explicar. não me interpretem mal, eu acredito que o amor dá muito trabalho. não acredito é que possa ser encarado como um esforço. como um frete. como um afazer.
porque para picar o ponto já basta um emprego (e todos sabemos o quão comum é trabalharmos no que não gostamos, quanto mais ter de fazer do amor um trabalho também) e quero mais da vida do que ter (e ser) uma muleta para não viver sozinha.
e isso, o querer algo com muita força, o querer mesmo, não faz de mim egoísta ou imatura ou mimada ou até mesmo conflituosa. recuso-me é a ter de pedir algo que é meu por direito e que sempre (mas sempre) dei, sem pensar que teria de o pedir em troca.
quero mais da vida, ponto. e cansei-me de ter de o explicar.




I wasn't looking when we built these walls
Let me spread my dreams at your feet
Let’s not let time’s bitter flood rise
Before my thoughts begin to run

I think I'm getting older now
...



segunda-feira, 4 de maio de 2015

da metamorfose

Quando era miúda mantinha um diário e acho mesmo que isso me ajudava a não me esquecer de quem era. Pode parecer ridiculo, mas preciso muito dessas bengalas de memória para não me deixar vencer pela metamorfose diária que é ser-se alguém.
Neste momento adorava conseguir escrever como me sinto - mas falham-me as palavras como em muitos anos não falharam, tropeçam-me os raciocínios que sempre foram tão certeiros e convictos - para não me esquecer nunca de quem era hoje, porque amanhã já vou ser outra pessoa.
Queria muito poder imortalizar, nem que fosse em palavras gastas e toscas, a pessoa que era hoje, para conseguir perceber mais tarde - quando a memória, a saudade, as mãos trôpegas à procura... quando tudo me levar ao dia de hoje- o porquê.
No entanto, apesar de me tranquilizar um pouco a ideia de que nunca compreendemos verdadeiramente razão nenhuma, continuo a fitar um caderno em branco em cima da estante.






(Já não escrevo num diário desde os 13 anos.
Não vai ser hoje que recomeço.)


sábado, 2 de maio de 2015

do tempo #29

pára. respira. pensa. .
pondera. equaciona. alterna. acrescenta. modifica. repõe. define. retira. colmata. 
pára. respira. decide.

terça-feira, 14 de abril de 2015

do tempo #28




I still want you
even more than I did before




#remember2013 #birthdaygift
#superbocksuperrock
#brandonflowers #thekillers
[keeps getting better!]








sexta-feira, 10 de abril de 2015

do 'até já'

durante muito tempo tive muito medo de ficar sozinha.
de crescer torta para as emoções, enfiada na minha carapaça, e de acabar sozinha num T0 com colecções de figuras de porcelana e dois gatos a miar desgraçados pela falta de comida (fruto do meu desleixe latente combinado com o castigo imposto por os felinos me causarem alergias intermináveis).
durante muito tempo tive muito medo. ponto. medo de não corresponder ao que esperavam de mim, de não conseguir agarrar os sonhos todos que teimavam em me fugir pela idade que crescia depressa demais, de acordar um dia e saborear o terrorifico vazio de tudo ter sido em vão. medo.

acordei hoje a desejar matar o meu telemóvel, culpa do despertador, como se ele realmente fosse um ser vivo, tão evoluidas são as tecnologias hoje em dia.
remelas e olheiras à parte, acordei feliz.
com imensas saudades dele, mas a sentir-me viva, ainda que meia adormecida pela falta de horas decentes de descanso.

é tão bom sentir saudades quando sabemos que é por um tempo determinado.
dá-nos aquela certeza de que o amor é forte, seguro, estável, e de que voltará para nós, qual boomerang.
estas saudades que sentimos são, no fundo, uma outra forma de medo: nunca temos a certeza de nada, muito menos no amor, e a pior sensação do mundo é ficarmos saudosistas por um tempo que não volta.
agora as saudades do presente... essas! essas são a melhor constante do amor e a única certeza que trago comigo: fazes-me falta, meu bem. até já.