sábado, 14 de fevereiro de 2015

das anestesias

o timing, certo e sabido,  é um filho da puta.
dispõe de nós como um reformado dispõe dos centros de saúde, não pede desculpa pela merda que vai fazendo nem tampouco se importa em nos fazer feliz. o timing é um belo de um filho da puta.

depois há o karma. há quem não acredite mas eu sempre achei que havia um par de olhos a ver tudo e e regurgitá-lo pra cima de nós meses (anos!) mais tarde. não importa quando, o destino demora mas não falha. e por eu entender como funciona este ciclo vicioso de maldades, acho mesmo que ainda estão reservadas coisas muito boas para mim.

amanhã começam algumas.












munique > salzburg > viena




até pr'a semana.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

do fundo do baú via facebook


'' but the guy that this is about changed my life. 
and we were so in love and we had so much fun, 
it was fucking brilliant our time together.
(...)
everyone knows what is like to lose someone you love.''



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

dos momentos wtf

o único comentário que posso tecer à falta de noção é


''nove meses à espera e nem sequer entrei em trabalho de parto para dar à luz o amor.''


mas pelos vistos está tudo bem.
é isso.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

do tempo #24





O que é que eu faço com tudo o que tenho cá dentro?
Ora foda-se, lá se foi a teoria de ter deixado de fazer perguntas.

Quando tudo acaba e ficamos pior que o deserto das arábias depois de bombardeios islâmicos, é suposto fazermos o quê? Reconstruirmos alegremente toda a estrutura e após meses e meses a alimentarmo-nos de algo positivo para conseguirmos voltar a sorrir convenientemente, deixar tudo à mercê do cabrão do destino para explodir de novo? E se eu não quiser reconstruir-me? E porque é que estou a escrever como se te tivesse aqui à minha frente a discutir?

O que é que eu faço com a caixa, com as memórias, com o livro que não me cabe na estante, com a deficiente da matricula? Com as fotos a passear no telemóvel que não quero apagar para ser forte, mas que me enfraquecem a cada dia? E os lacinhos?, a merda dos lacinhos de que tu tanto gostavas e que agora nem me apetece pôr no cabelo porque perderam todo o significado! Já para não falar de prendas idiotas de 1dólar que encomendei no ebay e que escondi nas gavetas mais refundidas para não ter de me lembrar todos os dias de que não tas vou oferecer.
Tudo perdeu significado entendes? Já não me apetece fazer um Redvelvet porque me vou sempre lembrar da fatia que te guardei, ou beber Desperados nem Beirão sem ser no teu sofá.
E todos os dias as músicas me revisitam, a gozar comigo. Ainda hoje entrei numa loja e estava a dar Ed Sheeran e eu juro que não comprei o que ia comprar porque temi começar a chorar em frente à menina da caixa.
O que e que eu faço? O que é que eu faço com tudo o que sobrou e que vai desaparecer e se vai tornar em nada? Tenho tanto medo que nós nos tornemos em nada. Dói-me antecipadamente a certeza de um dia me esquecer dos teus traços, do teu cheiro, da forma como falavas comigo ensonado de manhã. Não consigo suportar a certeza de que um dia amarás outra, amarei outro, seremos memórias desfiguradas de um passado distante, e ao cruzarmos o mesmo passeio vamos sorrir educadamente um para o outro, 'olá, tudo bem?' e seguir com a vida em diante sem cheiros nem toques nem amor.
Por outro lado, adormeço entorpecida na dúvida de que algum dia tenhamos existido. Não consigo conceber amor com tanta cobardia e por isso passeio-me entre o limbo da certeza de um dia te esquecer e a dúvida de algum dia te ter lembrado.
Será que fomos realmente? O que é que eu faço com as dúvidas?
O que é que eu faço quando todos os dias me lembro do que foi perder-te e isso me dói tanto que acabo por me esquecer de que te tive? Como é que se combatem os corações partidos?

Eu sei que o meu já não tem conserto, de tantas vezes ter sido consertado.
Mas eu merecia melhor, nós merecíamos melhor - tu sabes. Tu sabes que não os devíamos ter deixado vencer.
E talvez o meu erro tenha sido depositar em ti essa tarefa de me fazeres feliz, mas vou cometê-lo novamente: preciso que o teu fantasma abandone as minhas ruínas, porque não adianta que me esperes, não adianta que me ames, não adianta que continues aí. As palavras não vão conseguir resolver o que nós não conseguimos pôr em prática. Talvez o amor não seja de facto suficiente. Ou talvez  um amor assim seja apenas para ficar na história. Não sei. Sei sim que não consigo continuar com tanta bagagem numa mala tão pequena, tão atrofiada, a sorrir todos os dias ''boa noite tem cartão ...?'' e a querer chorar de cada vez que um cd me passa pelas mãos ou que alguém diz o teu nome.
Sei também que tudo o que senti foi real, existiu, e tu estavas lá comigo, mas talvez as minhas expectativas face ao que tu sentias tenham sido irreais e isso tenha sido o que me matou.
Eu vou ficar bem, tu vais ficar bem, não havia outra solução e o tempo vai passar.  Mas por agora só gostava de saber o que fazer com isto tudo que sinto, porque me parece tão idiota tudo isto que a única explicação que encontro é novamente ao refugiar-me na certeza de que quem ama não age assim, nem boicota a própria felicidade.

Percebi no fim que, apesar de não termos uma música - como me perguntaste naquela última longa viagem de carro - temos uma playlist tão esquizofrénica quanto o que nós próprios acabamos por sentir. Talvez, quando o tempo fizer o seu trabalho, eu consiga voltar a ouvir todas estas músicas com um sorriso e pensar de forma diferente acerca de uma história que um dia juramos contar aos nossos netos. Só te desejo o melhor, espero que disso ao menos tenhas certeza. Stay safe.



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

das 50 sombras

não sou gaja pra gostar de coisas histéricas e principalmente anti-feministas, mas tá-me mesmo a apetecer cagar um bocadinho na lógica e ir ver o filme com o bonzão que endromina a moça inocente.





já disse que estou farta de ser boa pessoa? é.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

do tempo #23


What's that over your shoulder?
Fear of getting older
Stay with me

It ends with a kiss
It ends with a tear
It ends with the lights out
Bathed in our fears



tenho quase um quarto de século e cansei-me de ser boa pessoa.
das duas uma: ou demorei 24 anos a perceber que os humanos não valem a ponta de um chaveiro ou afinal perdi a esperança cedo demais.

#putaquepariuisto


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

do tempo #22



And if I be feeling heavy
You take me from the dark
Your arms they keep me steady
So nothing could fall apart

(...)
‘Cause I, I feel like I’m ready for love
And I wanna be your everything and more
And I know every day I say it
But I just want you to be sure


às vezes damos por nós revoltados com a vida, a pensar em voz alta 'por que é que isto me foi acontecer a mim outra vez?'
estou, infelizmente, nessa fase, mas de uma forma mais pacífica do que estive no passado.
por pacífica entenda-se que deixei de fazer perguntas, não que esteja de facto mais pacifica (impossível no meu caso, sou nervosa por natureza).

a questão fulcral é que já não pergunto porquê, apesar de todos os dias acordar mais cansada do que adormeci, de ter andado às voltas na cama e acordar por entre pesadelos e vontades de pregar duas chapadas a determinadas pessoas e dar dois berros ao mundo no geral. desisti de procurar razões. desisti de tentar explicar ou de, por outro lado, tentar compreender. desisti de esperar. desisti de tentar adaptar-me a tudo e a todos, quando no fundo eu fico sempre para trás.
já não pergunto porquê, apesar de andar há semanas com cara de choro, olheiras e mau humor. hoje mandei um colega de trabalho para o caralho. não que ele não merecesse, mas foi demasiado sentido e até me deixou furiosa comigo mesma por andar com os nervos tão em franja e dar importância a quem não a merece.
já não pergunto porquê, mas adorava que alguém, qualquer alminha caridosa, me explicasse se há realmente algum motivo, se a culpa é minha, o que é que fiz caralho??? ou se no fundo é tudo uma brincadeira masoquista do destino e daqui a uns tempos estou eu mais feliz do que qualquer outra pessoa irritantemente feliz que me possa ocorrer agora na memória.

calma mary, duas semanas e estás de férias anestesiada.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

dos invernos

é a terceira vez que tenho gripe neste inverno rigoroso, estou cada vez mais com dores de costas (raio-x marcado aos 24 anos realmente é uma proeza) e tenho dormido pior do que em cima da cabeça de um tinhoso.
a parte boa destes dias maus que se avizinham é haver espaço para estudar para o exame de código (palmas a mim, 4 anos depois), para copos de sangria em jantares que aquecem o coração e cafés com gargalhadas que ecoam até nos esquecermos (ainda que por breves instantes)do que nos fez chorar.

tudo passa. o mau, pelo menos, passa.
o bom tentarei guardar sempre, dentro da caixinha.
juntamente com um castor, umas quantas canetas, recibos de restaurantes, hóteis e portagens, bilhetes de comboio, passes vip e passes de concertos, cartas e bilhetinhos, autocolantes da dreampills e convites para subir (finalmente) à torre dos clérigos.
não chegamos a subir e agora duvido que tão cedo me apeteça concretizar esta promessa de felicidade que começamos a construir.
curta ou longa, nenhuma história se deveria tentar empacotar (a caixinha eu sei que tem perdão) e muito menos resumir. mas a nossa pode muito bem ser resumida por ele (e eu sei que isto tem perdão também):

''I've got you under my skin
I've got you, deep in the heart of me
So deep in my heart that you're really a part of me

I've got you under my skin''



quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

do para sempre

Desisti há algum tempo de escrever verdades absolutas, depois de a vida me ter dado uns quantos safanões. Percebi, por que o tempo assim o quis, que nada é garantido, nada é tão radical, nada é sempre verdade ou sempre mentira, nada é certo ou errado a toda a hora.
São lições difíceis, estas que temos de sofrer na pele e que não podemos simplesmente aprender através dos livros, como a tabuada. Isto porque a tabuada, ao contrário da vida, tem tudo de garantido e de certo, sempre.
Precisamos, no entanto, de certezas. Ainda que a vida seja um turbilhão de dúvidas, de questões sem respostas, de incertezas e inseguranças e medos e pesadelos, precisamos de um chão. Uma estrutura fiável, um porto de abrigo, um amor. E o mais engraçado é quando descobrimos que, apesar de ser o mais incerto e descabido, o próprio amor é também a maior certeza que podemos carregar connosco.
Isto porque sabemos, naquele olhar de orgulho que os nossos pais nos lançam ocasionalmente, que eles não vão a lado nenhum. Que podem resmungar por deixarmos a cozinha desarrumada, mas que vão estar sempre lá, mesmo depois de morarmos sozinhos e de construirmos a nossa família.
Os amigos que estão longe, quando voltam - ou quando nós próprios voltamos - reencontram essa cumplicidade no mesmo sítio onde foi deixada, seja a rir de novas verdades ou a chorar com velhas memórias. É certo, cresceu, está ali. 
O nosso sobrinho mais novo, que se abraça às nossas pernas num desespero momentâneo "não vás embora tia, gosto tanto de ti" e que está mesmo agora a começar a entender as emoções, vem relembrar-nos dessa necessidade de sabermos que o outro não vai embora. "A tia volta, meu amor" e ele acredita, por saber que a tia voltou sempre até então. E que vai, porque quer, voltar de novo.
Não controlamos estes rodopios do universo nem tampouco os nossos próprios rodopios emocionais. Mas precisamos, como da água ou do sol ou de música para pulsar o sangue, de saber que a vida é isto, com todas estas pessoas e estes amores e estas garantias. Que depois da discussão, dos berros, dos amuos, das parvoíces, tudo passa e as pessoas não vão embora. Porque o amor fincou pé e não vai sair de nossa casa, do nosso coração. 
Precisamos de saber que, apesar de nunca podermos tomar ninguém por garantido, o próprio amor é uma garantia: e se formos regando esse jardim, ele vai florir sempre, com toda a certeza, com toda a vontade. Afinal de contas, o que nos resta no meio de todos os 'nunca' e 'talvez', senão este 'para sempre'?