domingo, 8 de fevereiro de 2015

do tempo #24





O que é que eu faço com tudo o que tenho cá dentro?
Ora foda-se, lá se foi a teoria de ter deixado de fazer perguntas.

Quando tudo acaba e ficamos pior que o deserto das arábias depois de bombardeios islâmicos, é suposto fazermos o quê? Reconstruirmos alegremente toda a estrutura e após meses e meses a alimentarmo-nos de algo positivo para conseguirmos voltar a sorrir convenientemente, deixar tudo à mercê do cabrão do destino para explodir de novo? E se eu não quiser reconstruir-me? E porque é que estou a escrever como se te tivesse aqui à minha frente a discutir?

O que é que eu faço com a caixa, com as memórias, com o livro que não me cabe na estante, com a deficiente da matricula? Com as fotos a passear no telemóvel que não quero apagar para ser forte, mas que me enfraquecem a cada dia? E os lacinhos?, a merda dos lacinhos de que tu tanto gostavas e que agora nem me apetece pôr no cabelo porque perderam todo o significado! Já para não falar de prendas idiotas de 1dólar que encomendei no ebay e que escondi nas gavetas mais refundidas para não ter de me lembrar todos os dias de que não tas vou oferecer.
Tudo perdeu significado entendes? Já não me apetece fazer um Redvelvet porque me vou sempre lembrar da fatia que te guardei, ou beber Desperados nem Beirão sem ser no teu sofá.
E todos os dias as músicas me revisitam, a gozar comigo. Ainda hoje entrei numa loja e estava a dar Ed Sheeran e eu juro que não comprei o que ia comprar porque temi começar a chorar em frente à menina da caixa.
O que e que eu faço? O que é que eu faço com tudo o que sobrou e que vai desaparecer e se vai tornar em nada? Tenho tanto medo que nós nos tornemos em nada. Dói-me antecipadamente a certeza de um dia me esquecer dos teus traços, do teu cheiro, da forma como falavas comigo ensonado de manhã. Não consigo suportar a certeza de que um dia amarás outra, amarei outro, seremos memórias desfiguradas de um passado distante, e ao cruzarmos o mesmo passeio vamos sorrir educadamente um para o outro, 'olá, tudo bem?' e seguir com a vida em diante sem cheiros nem toques nem amor.
Por outro lado, adormeço entorpecida na dúvida de que algum dia tenhamos existido. Não consigo conceber amor com tanta cobardia e por isso passeio-me entre o limbo da certeza de um dia te esquecer e a dúvida de algum dia te ter lembrado.
Será que fomos realmente? O que é que eu faço com as dúvidas?
O que é que eu faço quando todos os dias me lembro do que foi perder-te e isso me dói tanto que acabo por me esquecer de que te tive? Como é que se combatem os corações partidos?

Eu sei que o meu já não tem conserto, de tantas vezes ter sido consertado.
Mas eu merecia melhor, nós merecíamos melhor - tu sabes. Tu sabes que não os devíamos ter deixado vencer.
E talvez o meu erro tenha sido depositar em ti essa tarefa de me fazeres feliz, mas vou cometê-lo novamente: preciso que o teu fantasma abandone as minhas ruínas, porque não adianta que me esperes, não adianta que me ames, não adianta que continues aí. As palavras não vão conseguir resolver o que nós não conseguimos pôr em prática. Talvez o amor não seja de facto suficiente. Ou talvez  um amor assim seja apenas para ficar na história. Não sei. Sei sim que não consigo continuar com tanta bagagem numa mala tão pequena, tão atrofiada, a sorrir todos os dias ''boa noite tem cartão ...?'' e a querer chorar de cada vez que um cd me passa pelas mãos ou que alguém diz o teu nome.
Sei também que tudo o que senti foi real, existiu, e tu estavas lá comigo, mas talvez as minhas expectativas face ao que tu sentias tenham sido irreais e isso tenha sido o que me matou.
Eu vou ficar bem, tu vais ficar bem, não havia outra solução e o tempo vai passar.  Mas por agora só gostava de saber o que fazer com isto tudo que sinto, porque me parece tão idiota tudo isto que a única explicação que encontro é novamente ao refugiar-me na certeza de que quem ama não age assim, nem boicota a própria felicidade.

Percebi no fim que, apesar de não termos uma música - como me perguntaste naquela última longa viagem de carro - temos uma playlist tão esquizofrénica quanto o que nós próprios acabamos por sentir. Talvez, quando o tempo fizer o seu trabalho, eu consiga voltar a ouvir todas estas músicas com um sorriso e pensar de forma diferente acerca de uma história que um dia juramos contar aos nossos netos. Só te desejo o melhor, espero que disso ao menos tenhas certeza. Stay safe.



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

das 50 sombras

não sou gaja pra gostar de coisas histéricas e principalmente anti-feministas, mas tá-me mesmo a apetecer cagar um bocadinho na lógica e ir ver o filme com o bonzão que endromina a moça inocente.





já disse que estou farta de ser boa pessoa? é.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

do tempo #23


What's that over your shoulder?
Fear of getting older
Stay with me

It ends with a kiss
It ends with a tear
It ends with the lights out
Bathed in our fears



tenho quase um quarto de século e cansei-me de ser boa pessoa.
das duas uma: ou demorei 24 anos a perceber que os humanos não valem a ponta de um chaveiro ou afinal perdi a esperança cedo demais.

#putaquepariuisto


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

do tempo #22



And if I be feeling heavy
You take me from the dark
Your arms they keep me steady
So nothing could fall apart

(...)
‘Cause I, I feel like I’m ready for love
And I wanna be your everything and more
And I know every day I say it
But I just want you to be sure


às vezes damos por nós revoltados com a vida, a pensar em voz alta 'por que é que isto me foi acontecer a mim outra vez?'
estou, infelizmente, nessa fase, mas de uma forma mais pacífica do que estive no passado.
por pacífica entenda-se que deixei de fazer perguntas, não que esteja de facto mais pacifica (impossível no meu caso, sou nervosa por natureza).

a questão fulcral é que já não pergunto porquê, apesar de todos os dias acordar mais cansada do que adormeci, de ter andado às voltas na cama e acordar por entre pesadelos e vontades de pregar duas chapadas a determinadas pessoas e dar dois berros ao mundo no geral. desisti de procurar razões. desisti de tentar explicar ou de, por outro lado, tentar compreender. desisti de esperar. desisti de tentar adaptar-me a tudo e a todos, quando no fundo eu fico sempre para trás.
já não pergunto porquê, apesar de andar há semanas com cara de choro, olheiras e mau humor. hoje mandei um colega de trabalho para o caralho. não que ele não merecesse, mas foi demasiado sentido e até me deixou furiosa comigo mesma por andar com os nervos tão em franja e dar importância a quem não a merece.
já não pergunto porquê, mas adorava que alguém, qualquer alminha caridosa, me explicasse se há realmente algum motivo, se a culpa é minha, o que é que fiz caralho??? ou se no fundo é tudo uma brincadeira masoquista do destino e daqui a uns tempos estou eu mais feliz do que qualquer outra pessoa irritantemente feliz que me possa ocorrer agora na memória.

calma mary, duas semanas e estás de férias anestesiada.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

dos invernos

é a terceira vez que tenho gripe neste inverno rigoroso, estou cada vez mais com dores de costas (raio-x marcado aos 24 anos realmente é uma proeza) e tenho dormido pior do que em cima da cabeça de um tinhoso.
a parte boa destes dias maus que se avizinham é haver espaço para estudar para o exame de código (palmas a mim, 4 anos depois), para copos de sangria em jantares que aquecem o coração e cafés com gargalhadas que ecoam até nos esquecermos (ainda que por breves instantes)do que nos fez chorar.

tudo passa. o mau, pelo menos, passa.
o bom tentarei guardar sempre, dentro da caixinha.
juntamente com um castor, umas quantas canetas, recibos de restaurantes, hóteis e portagens, bilhetes de comboio, passes vip e passes de concertos, cartas e bilhetinhos, autocolantes da dreampills e convites para subir (finalmente) à torre dos clérigos.
não chegamos a subir e agora duvido que tão cedo me apeteça concretizar esta promessa de felicidade que começamos a construir.
curta ou longa, nenhuma história se deveria tentar empacotar (a caixinha eu sei que tem perdão) e muito menos resumir. mas a nossa pode muito bem ser resumida por ele (e eu sei que isto tem perdão também):

''I've got you under my skin
I've got you, deep in the heart of me
So deep in my heart that you're really a part of me

I've got you under my skin''



quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

do para sempre

Desisti há algum tempo de escrever verdades absolutas, depois de a vida me ter dado uns quantos safanões. Percebi, por que o tempo assim o quis, que nada é garantido, nada é tão radical, nada é sempre verdade ou sempre mentira, nada é certo ou errado a toda a hora.
São lições difíceis, estas que temos de sofrer na pele e que não podemos simplesmente aprender através dos livros, como a tabuada. Isto porque a tabuada, ao contrário da vida, tem tudo de garantido e de certo, sempre.
Precisamos, no entanto, de certezas. Ainda que a vida seja um turbilhão de dúvidas, de questões sem respostas, de incertezas e inseguranças e medos e pesadelos, precisamos de um chão. Uma estrutura fiável, um porto de abrigo, um amor. E o mais engraçado é quando descobrimos que, apesar de ser o mais incerto e descabido, o próprio amor é também a maior certeza que podemos carregar connosco.
Isto porque sabemos, naquele olhar de orgulho que os nossos pais nos lançam ocasionalmente, que eles não vão a lado nenhum. Que podem resmungar por deixarmos a cozinha desarrumada, mas que vão estar sempre lá, mesmo depois de morarmos sozinhos e de construirmos a nossa família.
Os amigos que estão longe, quando voltam - ou quando nós próprios voltamos - reencontram essa cumplicidade no mesmo sítio onde foi deixada, seja a rir de novas verdades ou a chorar com velhas memórias. É certo, cresceu, está ali. 
O nosso sobrinho mais novo, que se abraça às nossas pernas num desespero momentâneo "não vás embora tia, gosto tanto de ti" e que está mesmo agora a começar a entender as emoções, vem relembrar-nos dessa necessidade de sabermos que o outro não vai embora. "A tia volta, meu amor" e ele acredita, por saber que a tia voltou sempre até então. E que vai, porque quer, voltar de novo.
Não controlamos estes rodopios do universo nem tampouco os nossos próprios rodopios emocionais. Mas precisamos, como da água ou do sol ou de música para pulsar o sangue, de saber que a vida é isto, com todas estas pessoas e estes amores e estas garantias. Que depois da discussão, dos berros, dos amuos, das parvoíces, tudo passa e as pessoas não vão embora. Porque o amor fincou pé e não vai sair de nossa casa, do nosso coração. 
Precisamos de saber que, apesar de nunca podermos tomar ninguém por garantido, o próprio amor é uma garantia: e se formos regando esse jardim, ele vai florir sempre, com toda a certeza, com toda a vontade. Afinal de contas, o que nos resta no meio de todos os 'nunca' e 'talvez', senão este 'para sempre'?  

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

do último post / do primeiro post

É suposto chegarmos a este dia e fazermos uma retrospectiva de como correu o ano que passou.
Um balanço, uma lista de prós e contras, uma análise detalhada de tudo quanto nos aconteceu, nos moldou, nos mudou...e votos e desejos de tudo o que queremos que passe pela nossa vida no próximo ano.
Comecei o último dia de 2014 deitada na cama a pensar no quanto este ano me massacrou. O quão vincadas ficaram todas as cicatrizes que anos anteriores já tinham deixado e o quão difícil é todos os dias acordar motivada para uma vida que já não reconheço como minha.
Depois de pensar no quanto tudo doeu, vieram à tona todas as memórias de coisas boas que me foram acontecendo, as pequenas vitórias diárias que servem sempre de combustível, a capacidade de amar e ver o coração transbordar para fora do peito, a família sempre com um sorriso, os amigos que apesar de longe ou ocupados encontram sempre um momento para nos dizer que tudo vai correr bem no final.
Não sei se consigo suportar outro ano igual a 2014, a cambalear vazia pelos dias, usando os outros e as minhas próprias emoções como muletas para me aguentar numa rotina que considero suicida.
Preciso de novos horizontes, de novos desafios profissionais, de novas conquistas e hobbies e interesses e sonhos.
Este foi o ano em que, apesar de novas pessoas terem passado a fazer parte de mim, me senti mais sozinha. Como se me fartasse de gritar numa sala cheia de gente mas apenas eu me pudesse ouvir. E acreditem que ouvirmos os nossos próprios gritos durante meses a fio não é de todo uma sensação agradável.
Hoje não vou pedir desejos. Nem comer uvas passas ou subir cadeiras ou agarrar em notas enquanto uso lingerie azul. Hoje vou brindar, rodeada pelos meus, ao início de um novo ciclo de esperança e ao fim de um ano desastroso que unicamente me trouxe de bom a capacidade de amar. O pior nisto tudo é saber, que ainda que eu tenha adquirido de facto essa capacidade e que seja capaz de sentir este mundo e o outro, o mundo não me sente a mim. E isso é que é uma filha da putice que vamos ter de alterar em 2015.

Bom Ano!

domingo, 28 de dezembro de 2014

do primeiro post sem título


"The list includes all types of association of 
Audrey Hepburn with Frank Sinatra in movies. 

As of today, Audrey Hepburn and Frank Sinatra 
have worked jointly in 1 movie, Paris - When It Sizzles (1964)."




sábado, 13 de dezembro de 2014

do espírito

está a chegar aquela altura do ano em que engordamos todos 3kgs com os doces da mamã e o álcool do papá, em que gastamos os olhos da cara num vestido para a passagem de ano que não voltaremos a vestir tão cedo, em que vemos 1001 opções de passagem de ano e acabamos por ficar em casa onde um pijama servia perfeitamente para entrar no novo ano.
também é nesta altura que discutimos com os amigos por não encontrarem uma porra de uma data em que dê para todos estarem presentes no jantar de Natal, em que consequentemente desistimos de fazer um jantar de Natal, em que tentamos a todo o custo estar com todos os amigos que raramente vemos mas que nesta altura gostavamos mesmo de rever e nem isso sabemos se será possível. é nesta altura que desesperamos pelas prendas que faltam comprar, como se uma prenda devolvesse todo o amor que fica por dar no resto dos dias e as filas intermináveis de embrulhos e talões sem preço nos redimissem se tudo errado que passou.

este ano já tratei das prendas praticamente todas, estou a tentar alinhas os xacras para não assassinar ninguém no emprego, já revi receitas de Natal e prometi à progenitora que vou deixar alguns doces por minha conta. este ano não vou comprar um vestido novo, nem repensar a maquilhagem, nem tampouco procurar ideias para a passagem de ano. a garrafeira do papá está abastecida, as prendas dos miúdos compradas e o verdadeiro significado do Natal quer-se com uma árvore recheada de pais natais e luzinhas e estrelas e renas, mas sem ter assim tantas prendas. a passagem de ano será com certeza passada com quem se ama, por entre champanhe e um vestido antigo, mas com a esperança de que 2015 seja amável com tudo o que 2014 deixou pendente.

afinal de contas, os anos ensinam-nos o que é mais importante. ou pelo menos assim deveria ser.

Boas Festas.

sábado, 6 de dezembro de 2014

das resoluções de fim de ano

finalmente alguma motivação para encerrar de vez um capítulo da minha vida, que há muito estava pendente e bloqueado. 
prendas de Natal quase todas compradas, receitas de doces aprimoradas, postais para o PPC pensados e quase prontos a enviar! 
Dezembro começou em força e com ele veio a contagem decrescente para mais um Natal e para um novo ano que se aproxima. a ver se é desta que começo o ano em grande e com boas notícias  ♡