quarta-feira, 10 de abril de 2013

dos manuais de engate a mulheres modernas

Nós gajas temos um problema com o engate moderno.
A igualdade de sexos veio lixar um bocado o esquema  a quem estava habituado a ter a papinha feita. Se no fundo até é bom podermos ser nós a tomar a iniciativa, às vezes é cansativo termos de ser nós a fazê-lo sempre - e, convenhamos, o orgulho nem sempre o permite (nem pode!)
Por exemplo: se pessoalmente até fazemos o esforço para não deixar a conversa morrer e o silêncio esquisito apoderar-se da mesa do café onde nos sentamos a encolher a barriga no vestido novo, no que toca a facebooks ou sms's a coisa é um bocado diferente. Isto funciona tanto para homens como para mulheres, obviamente, porque no fundo são tudo regras básicas (???) de engate (de alguém com cérebro retorcido que as começou a institucionalizar até serem obrigatórias e puníveis com solidão perpétua quando não cumpridas).
A principal diferença entre gajos e gajas é que nós continuamos a ser um bicho muito estranho e, pior ainda, gostamos disso. Por isso desenganem-se se pensam que eventualmente se torna mais fácil. Os meus pais são casados há 36 anos, são super felizes, e a minha mãe ainda faz a vida negra ao meu paizinho. É a lei da vida.

Por isso, para ajudar, vou só mencionar alguns pontos comuns:

- As gajas não gostam de começar conversa.  Se vocês estão online no chat do facebook e em 5minutos aquela gaja já alterou a foto de perfil, postou uma música de uma banda (que, coincidentemente, vocês adoram) e pôs like em dezenas de posts, gajos: ela só quer que digam o primeiro olá, ok?
- As gajas nunca vos vão dizer (pelo menos não nos primeiros dias/semanas/meses-até-se-sentirem-à-vontade-para-pelo-menos-conseguirem-fazer-chichi-de-porta-semi-cerrada-com-abafadores-de-som) o que querem. Isto porque a beleza (novamente, retorcida) da coisa é serem vocês a descobrir. E errarem. Para tentarem descobrir de novo. E acertarem. Quando uma gaja tem de dizer tim-tim por tim-tim o que quer e o que precisa, gajos, a coisa não está a correr bem pró vosso lado...
- As gajas mentem. Nas primeiras sms's que mandarem, elas vão sempre estar ocupadas para responder e vão sempre demorar no mínimo uns 10 minutos. Podem até não ouvir a vossa primeira chamada e só atenderem quando vocês tentarem de novo. E provavelmente a meio da conversa vão ter de ir tomar banho, quanto mais não seja para vos deixar com a imagem na cabeça delas seminuas enroladas numa toalha, ainda que elas continuem a ver a novela sentadas no sofá da sala.
- As gajas têm um coração mole. Pode haver excepções, mas raras são as gajas que não se derretem com tudo o que esteja em tamanho mini (seja um cachorrinho bebé ou um cupcake) ou que seja uma demonstração inesperada de carinho. Muito raramente vão ouvir uma gaja gozar com um homem que chora. Simplesmente porque é fofo. E inesperado. E raro. (Ou também pode ser mentira.)
- Por muito que seja cliché, todas as gajas gostam de ouvir dizer que estão bonitas. Ouvir dizer que somos bonitas é bom, mas ''estar'' bonita significa que vocês reconhecem o esforço na escolha do vestido e do tacão do sapato que combina com a pulseira que é da cor da sombra dos olhos. E isso só quer dizer que no fundo vocês gajos além de olharem para nós, também nos conseguem ver. E isso importa. Muito.
- As gajas são umas cabras (para os homens). A verdade é que uma mulher pensa em muito mais estratégias de engate do que um homem. O objectivo normalmente é comum - esqueçam o cliché de que os homens só querem sexo e a as mulheres procuram matrimónio - mas as mulheres gostam de ter o gostinho final de serem elas a deixá-los na mão. E a verdade é que grande parte das vezes conseguimos.
- As gajas não se odeiam todas umas às outras. Inevitavelmente há uma natureza mexeriqueira predominante no sexo feminino, mas nem sempre que elogiamos alguma fêmea lhe estamos a desejar a morte com ácido sulfúrico. As vezes podemos estar a ser genuinamente simpáticas. (Mas não se for com a vossa ex-namorada. Ou com a vizinha jeitosa do prédio em frente que lava o carro de calções e blusa de algodão sem soutien por baixo.)
- As gajas não são (todas) pudicas. Não é um motel que faz delas prostitutas, assim como também não é um anel no dedo que lhes garante que não têm a testa enfeitada. Chega daquele cliché de que uma namorada que se ama não é para fazer certo tipo de coisas, ok?
- Nem todas as gajas querem casar e ser mães no primeiro encontro. Há algumas que, por já terem procurado tanto sem encontrar, se mostram um bocado no precipício desespero, mas se não é o que procuram, não a façam perder mais tempo e deixem-na continuar a procurar à vontadinha dela. Há muito peixe no mar e muitas gajas que querem o mesmo que vocês, por isso deixem de engonhar, e sigaaaaa.
- As gajas nunca vão perceber porque é que os homens as acham complicadas. No fundo tentamos sempre simplificar ao máximo. O problema dos gajos é que sempre que uma mulher tenta falar com eles, inevitavelmente isso lhes vai complicar a vida. Por isso chega de dizer que nós somos complicadas, quando a maioria das vezes são os gajos que estão demasiado distraídos para perceber o que se passa - é assim tão difícil perceber que fizeram merda se ela não vos atende o telefone? - ou são demasiado trapalhões para lidar com as coisas que entretanto começaram a sentir - sim, se calhar se acordam a sorrir com uma sms, é porque até gostam um bocadiiiiiiinho dela. Falar é simplificar - o assunto é que pode ser complicado, capice?

Façam-se homenzinhos, dêem-nos espaço para jogar direitinho ao jogo do gato e do rato e tudo correrá bem. É sempre bom quando somos (um bocadinho) ignorados, e é isso que nos dá pica para sermos nós a provocar o outro. Não podemos é exagerar na dose e saber temperar bem o toma-lá-dá-cá. Por que, gajos: se deixarem de falar a uma gaja durante duas semanas, ela já vai ter chorado três Danúbios e/ou apagado o vosso número de telemóvel, e não, não ''está tudo bem'', por muito que ela diga que sim.
Porque outras coisas que as gajas não fazem é dar parte fraca - séculos e séculos de opressão já as fizeram passar demasiado por isso - e as gajas odeiam que se saiba que algo as magoou (portanto se alguma vos disse, é mesmo porque foi o seu último recurso).
No fundo, ainda que a maioria das coisas hoje em dia seja tão efémera, é sempre tão bom podermos olhar com um sorriso para um passado. Façam-no valer a pena.






terça-feira, 9 de abril de 2013

de como as madrugadas me devolveram a escrita


Poema vinte e três


Como se desaprende
de ser o que outros nos ensinaram
e como se volta ao caminho
sem ter deixado as migalhas pelo chão?

Deitar fora a chave e rasgar os mapas –
não foi essa a lição
que me ensinaram, não.

Mas quando se quer
com a vontade mais forte que o passar das horas
tudo parece possível, quando prometido

(e essa mentira, meu bem
foi mais tua
do que minha
pois a aliança saiu do dedo
directamente para caixinha)

E eu bem sei, meu bem
que nunca mais te ver sorrir será o punhal perfeito
para matar o que ainda existe
aqui


do pó assente nos móveis



Há uns anos escrevi um texto sobre como a nossa vida se mede pelo pó assente nos móveis.
Como se a pressa fosse inimiga da limpeza e o pó assente, quieto, viesse confirmar que passamos pouco tempo em casa (preocupados em limpá-la, pelo menos) ou que passamos muito tempo fora dela. Indiferentemente, passamos tempo.
E, mais do que confirmar se estamos ou não em casa, o pó assente nos móveis vem dizer-nos que já se passaram dias desde que limpámos pela última vez: vem dizer-nos que o tempo passa.
Sem nos apercebermos, as coisas vão desaparecendo, as histórias vão tomando outras proporções, as pessoas vão partindo para outros lugares dentro de nós. E quando parámos para olhar o relógio percebemos uma de duas coisas: ou nos parece que já passou muito tempo e na realidade ainda está tudo muito vivo, ou de facto não passou assim tanto mas ascoisas já secaram, já morreram, e deram lugar a uma nova realidade que desconhecíamos ser possível no imediato.
As melhores lições são as que se riem de nós: como é que podemos algum dia pensar que conhecemos alguém, se admitimos a maioria das vezes não nos conhecermos a nós mesmos?
A parte boa é que, a maioria das vezes, a vida nos surpreende, ou não teria tanta graça vivê-la.
E é tão bom quando nos apercebemos de que nos esquecemos de limpar o pó à nossa casa, a nós, simplesmente porque estamos demasiado ocupados para nos preocuparmos com a passagem do tempo; estamos a vivê-la.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

do insólito

Outro dia atendi um casal que queria ir ver um espectáculo infantil a Lisboa com os filhos. Entre o explicar os lugares, preços e afins, lá me perguntaram como é que iam para lá. Franzi um bocado o sobrolho, visto que eram um casal novo na casa dos trinta, mas lá lhes disse que podiam ir de comboio ou camioneta, ao que o marido perguntou ''e metro menina, não?''.
Ora bem, por esta altura eu não me contive e ri-me às gargalhadas: juro que pensei que era mais um daqueles clientes a gozar com a cara de quem os atende, armados em espertinhos, daqueles que quando o artigo não passa na caixa registadora diz coisas do tipo ''Esse é de borla!"'
Até que percebi que eles não sabiam mesmo. E por esta altura já estava eu à procura das câmaras dos apanhados de tv.
Meia incrédula lá expliquei que não, que para irem de transportes públicos tinha de ser de comboio ou camioneta. Volta outra pergunta surreal: '' e onde é que se apanha?'' Ora bem, se moramos no Porto, o mais fácil é apanhar comboios em Campanhã ou S. Bento. Camionetas há diversas companhias, mas eu como costumo ir pela Renex (que parte, entre outros sítios, da Cordoaria), foi essa que aconselhei.
Ouviram tudo pacientemente, a acenar com a cabeça como dois cachopos, até que o marido se vira para a mulher e diz: ''Campanhã? S.Bento? Sabes onde é?''
Eu sorri, ao perceber a parva que tinha sido porque ainda não me tinha apercebido, e perguntei: ''Os senhores não são de cá do Porto pois não? São de onde?'', na esperança de que me respondessem o nome de uma terriola qualquer que eu não soubesse identificar no mapa e que pudesse justificar todas as perguntas . Mas em vez disso levei como resposta uma chapada do tipo ''Somos cá de Matosinhos, mas não costumamos sair muito.''
Muito? MUITO?????
''Câmara do Porto?'' - tentei. - ''Aliados?''. Nada.
Explicando onde era o Hospital de St António lá lhes consegui dizer onde era a Cordoaria (e minutos depois o senhor já se lembrava que é por aquelas bandas que os estudantes fazem as serenatas) e explicar-lhes mais ou menos como faziam para ir de camioneta até à Gare do Oriente. Já só me  apetecia enrolar-me na minha manta e chorar, ou até mesmo pagar-lhes o comboio e ir com eles passear por Lisboa, para lhes mostrar outra coisa que não fosse o Mercado de Matosinhos, o Porto de Leixões ou Rotunda do Castelo do Queijo.
Ainda me perguntaram se sabia preços e quanto tempo demorava a viagem, entre mais outras perguntas às quais respondi, a tentar não fazer cara de parva. Agradeceram e disseram que iam decidir a vida deles e depois voltavam para comprar os bilhetes - e só me apetecia perguntar se eles sabiam voltar para casa..!



Resumindo: em pleno século XXI, um casal jovem que mora num dos principais municípios do distrito do Porto perguntou-me se dava para ir de metro até Lisboa.
E eu fiquei o resto da noite a olhar para o vazio, a pensar na sorte que tenho de ter pelo menos visto outros mundos que não este da rua onde vivo, e a pensar nas pessoas que morrem sem nunca terem visto o mar.
Ainda para mais porque antes de ir embora o senhor me disse que se calhar pelo preço da camioneta atestava o depósito e ia de carro!
Se virem um casal com dois putos perdidos na A1 no fim de semana de 5/6 de Abril , já sabem quem poderá ser.  :|

terça-feira, 2 de abril de 2013

das soluções

Ontem voltei a dar uma de fada do lar e reproduzi o Chili que comi no fim de semana. Os papás adoraram e ainda se deliciaram com uma tarte de leite condensado e côco para a sobremesa!
Hoje é dia de ginásio e de escrever. Escrever, escrever, escrever.
O prazo é 31 de Maio e na minha cabeça não há espaço para mais problemas, só soluções.
Força Mary!

sexta-feira, 29 de março de 2013

do tempo

Já estamos em finais de Março.
Dei uma de coelho da Alice e não sei o que se passa com o tempo... Realmente não sei como raios já estamos quase em Abril - e eu continuo tão perdida.
Neste momento (e mais intensamente) três focos: código, ginásio e concurso literário.
Todos temos direito ao nosso combustível e acho que chegou a altura de os meus dias serem mais do que trabalhar 5 horas. Não sei onde vou encontrar energia, visto que estou adormecida e até acho estranho pensar que há 3 anos conseguia estar a estudar, em praxe e a trabalhar exactamente as mesmas horas, tudo junto, com tempo para família, amigos e inércia na mesma.
Está na altura de contrariar o coelhinho dentro de mim.




White Rabbit; [singing] I'm late / I'm late / For a very important date. / No time to say "Hello, Goodbye". / I'm late, I'm late, I'm late.


sexta-feira, 22 de março de 2013

do que não se sabe

Uma pessoa volta de Paris e não sabe muito bem o que dizer.
O que é que se sente quando se volta, não se sabe muito bem para quê, para quem?
Precisava tanto mais de uma semana longe de tudo, tendo como principal preocupação planear visitas a museus e saber que linha do metro apanhar para ir não sei onde.
Devia ser possível escolher ser-se viajante como profissão....!


terça-feira, 12 de março de 2013

daqui a dois dias...




...estou em Paris.
E acho que é por não conseguir acreditar lá muito bem que ando toda desorientada.
Sim porque são seis da manhã e eu ainda não durmo.
E acordo daqui a três horas. Tá.

das desculpas

Hoje disse uma bela de uma frase que resume tudo: as pessoas arranjam desculpas.
E pior do que arranjar desculpas para os outros - do tipo inventar que já se saiu de casa mas ainda estamos em pijama, e depois do atraso de meia hora culpamos o metro que parou sem explicação - é arranjarmos desculpas para nós mesmos; ouvirmos aquela voz palerma a sussurrar que desta vez, só desta vez, pode ser.
Se estamos de dieta, é só mais um bolo. Se temos compromissos de manhã, está a chover. Se temos de arrumar o quarto, não está assim tão desarrumado e estamos cansados hoje. Se temos de ir ao cabeleireiro pintar o cabelo, a raiz não está assim tão má.
Pior é quando passa destas questões de logística para outras mais graves, em que a inércia impera. O ''só desta vez'' passa a ser todas as vezes e é uma bola de neve que não se aguenta.
Eu disse que em 2013 só queria ganhar, ganhar, ganhar. Mas estamos em Março e o que eu fiz até agora foi perder... Tempo.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

do dia-a-dia

Após dois dias (e meio) no Gerês sem rede e a curar a ressaca do cansaço natalício (numa comunidade com 118 habitantes, praticamente o mesmo da praceta onde eu moro :| ) voltei à realidade e cheia de amor pra dar - como diria a minha S.
Ontem foi dia de jantar com as meninas, amanhã é dia de sair com os meninos e a partir de segunda feira é dia de voltar ao código, ao ginásio e aos afazeres diários.
Escrever isto aqui, ver um filme acolá, ler acoloutro, ir à escola de condução, sair para dançar, escutar mais um disco, aspirar a casa, ir ao ginásio, pôr a louça na máquina, rir rir rir,  ir ao cabeleireiro, ao banco, ir trabalhar, ir à depilação, limpar o pó, pintar as unhas, dar duas de letra, tomar café, dormir mais a horas certas e menos horas erradas!
Em estabelecer metas diárias é que está o ganho. E em 2013 eu só quero ganhar. Ganhar, ganhar, ganhar!